“A geografia é uma ciência social. Ao ser estudada, tem de considerar o aluno e a sociedade em que vive. Não pode ser uma coisa alheia, distante, desligada da realidade. Não pode ser um amontoado de assuntos, ou lugares, onde os temas são soltos, sempre defasados ou de difícil compreensão pelos alunos. Não pode ser feita apenas de descrições de lugares distantes ou de fragmentos do espaço”.(Callai et al, 1999, p. 57)
Por muito tempo a geografia foi tida como uma disciplina de memorização e descrição, quase sem serventia. Atualmente ela esta começando a ser vista como uma disciplina essencial no meio escolar, devido a sua proximidade com a realidade, relacionando o cotidiano do aluno com o conteúdo estudado. Segundo Helena Callai, 1999, o aluno deve estar dentro daquilo que esta estudando e não fora, deslocado e ausente daquele espaço, como é a geografia que ainda é muito ensinada na escola: uma geografia que trata o homem como um fato a mais na paisagem, e não como um ser social e histórico.
Vive-se em um mundo acelerado, se modificando constantemente, seja na economia, no social e na política, mas não se é dado por conta de que talvez não se esta entendo todas essas mudanças e que também já está mais no que na hora de abandonar os modelos tradicionais originados de Vidal de La Blache. Infelizmente, os conteúdos a serem ensinados já são selecionados, mas não por professores e acadêmicos, o que impede que sejam definidos a partir da realidade em que se esta inserido. Mas não se pode culpar apenas os conteúdos definidos, é necessário ter metodologias diferenciadas de trabalho, em que o aluno se interesse e se insira no conteúdo. Conforme Callai, 1999, como ensinar e como aprender se tornam mais significativos do que o que ensinar e aprender.
Existem opiniões de que o ensino nas escolas está um fracasso, e isso se estende às ciências humanas. No ensino de geografia, disciplina que por muitas vezes é considera secundária nas escolas, essa crise no ensino aparece por algumas razões, como por exemplo, “a matéria não tem importância, é só decorar”, ou como “na vida prática ela não tem necessidade”. Um outro problema é a desorganização no conteúdo escolar, a insuficiência de carga horária, (como dois períodos semanais). Como ensinar tantos conteúdos em tão pouco tempo? Para isso, é necessário que o professor use um pouco do livre arbítrio, incluindo conteúdos relacionados ao cotidiano do aluno, aos fatos que ocorrem no dia-a-dia e separar o que realmente é o essencial do periférico.
Creio que é preciso ensinar uma geografia que considere o homem como sujeito e não como objeto do processo histórico. Que não separe, enfim, a sociedade da natureza, [...] não fragmente esse saber, perdendo a sua dimensão de totalidade. Que possamos transmitir aos nossos alunos uma geografia que sirva aos interesses deles e não dos detentores de poder. (Resende, 1986, p.41)
O que se observa nas escolas também, é a grande quantidade de conteúdos que existem para serem abordados em salas de aula, os professores passam todo o conteúdo e o aluno acaba não compreendendo o que estudou. Gonçalves (apud Castellar e Maestro, caderno de apoio ao professor, 2002, p. 05) menciona que o saber geográfico dominante fala de clima, vegetação, relevo, hidrografia, população, principais atividades econômicas, etc. Ao pretender falar de todas as coisas, acaba na verdade produzindo uma visão caótica do mundo, não analisando como as coisas se formam, se produzem, se estruturam e se constituem como totalidade. O importante não é quantidade de conteúdos, mas sim como se ensina e como o aluno aprende ele.
“Os professores e os alunos são treinados a não pensar sobre o que é ensinado e, sim, a repetir pura e simplesmente o que é ensinado. O que significa dizer que eles não participam do processo de produção do conhecimento”. (Oliveira apud Castellar e Maestro, caderno de apoio ao professor, 2002, p. 05).
Apesar destas idéias citadas, é necessário observar que houve avanços no ensino de Geografia, começando principalmente dentro das universidades nos cursos de formação dos professores.
A Geografia esta sempre presente em nossas vidas, mas o problemas é que isso não é observado dentro de uma sala de aula. É importante fazer com que o aluno entenda e perceba onde esta a geografia, e veja que não há necessidade de memorização, pois ela esta ao nosso redor, mas isso também depende do professor, deve parti dele esse modo de enxergar a Geografia próximos a nós e não só dentro do livro didático, que deve ser usado sempre apenas como um auxilio.
“A geografia, uma ciência e uma matéria de ensino, se faz presente na vida de muita gente, seja pela ânsia de conhecer o mundo, pelos desafios postos atualmente pelo meio ambiente e todas previsões apocalípticas ou sensatas a esse respeito, pelas exigências de planejamento territorial, pelo turismo, ou simplesmente como tarefas escolares no ensino básico”. (Callai, 1999, p. 11.)
Assim como menciona Callai, (1999 p.12) compreender a realidade através da geografia significa conseguir manejar os conceitos básicos e os instrumentos adequados para fazer a investigação e exposição dos seus resultados.
Este estágio possui o objetivo de realizar estas idéias citadas acima, procurando inserir o aluno dentro do conteúdo, trazendo o seu cotidiano para a sala de aula, utilizando práticas que procurem sair de uma aula tradicional para uma Geografia Crítica.

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